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Quando vale a pena pagar IBS e CBS fora do Simples Nacional?

Quando vale a pena pagar IBS e CBS fora do Simples Nacional

A Reforma Tributária criou uma decisão inédita para as empresas optantes pelo Simples Nacional: a possibilidade de continuar no regime simplificado para os demais tributos, mas recolher IBS e CBS fora do DAS, seguindo as regras do regime regular.

Esse modelo vem sendo chamado de Simples Nacional híbrido.

Na prática, a empresa não deixa de ser optante pelo Simples. Impostos como IRPJ, CSLL e contribuições previdenciárias abrangidas pelo regime continuam seguindo as regras do Simples Nacional, enquanto IBS e CBS passam a ser calculados separadamente.

Mas será que essa escolha vale a pena?

A resposta depende principalmente do perfil dos clientes, da quantidade de créditos tributários gerados pelas despesas da empresa e do impacto comercial da decisão.

Neste conteúdo, a Coit Contabilidade explica quando vale a pena pagar IBS e CBS fora do Simples Nacional e quais fatores precisam ser analisados antes da escolha.

O que significa pagar IBS e CBS fora do Simples Nacional?

A Reforma Tributária manteve o Simples Nacional, mas criou duas possibilidades para o recolhimento dos novos tributos sobre o consumo.

  • A primeira é manter IBS e CBS dentro do Simples Nacional.

Nesse modelo, que podemos chamar de Simples “puro”, esses tributos serão integrados ao recolhimento simplificado do regime.

  • A segunda alternativa é optar pelo regime regular do IBS e da CBS.

Nesse caso, a empresa continua no Simples Nacional, mas IBS e CBS deixam de fazer parte do DAS e passam a ser apurados separadamente conforme as regras gerais desses tributos.

Por isso, o termo “Simples híbrido” ajuda a entender a lógica: Simples Nacional para os demais tributos + regime regular para IBS e CBS.

Para 2027, essa escolha ganhou importância ainda maior porque as empresas precisam avaliar qual modelo oferece melhor resultado financeiro e comercial.

Qual é a principal diferença entre IBS e CBS dentro e fora do Simples?

A principal diferença está relacionada ao sistema de créditos tributários. IBS e CBS foram estruturados dentro de uma lógica de não cumulatividade.

Isso significa que, no regime regular, a empresa pode, nas situações previstas na legislação, aproveitar créditos dos tributos incidentes sobre suas aquisições para reduzir os valores devidos nas vendas.

Além disso, a forma de recolhimento escolhida influencia os créditos disponíveis na cadeia comercial. Quando a empresa opta pelo regime regular de IBS e CBS, seus clientes empresariais podem ter acesso aos créditos correspondentes às operações.

Esse ponto pode ser decisivo para negócios que vendem principalmente para outras empresas.

Por outro lado, empresas que atendem majoritariamente pessoas físicas podem não obter a mesma vantagem comercial, já que o consumidor final não utiliza créditos tributários.

Quando pagar IBS e CBS fora do Simples pode valer a pena?

Existem alguns cenários em que o regime regular merece uma análise mais aprofundada.

Empresas B2B, por exemplo, estão entre as que mais precisam avaliar o Simples híbrido.

Imagine uma empresa do Simples Nacional que fornece produtos ou serviços para grandes companhias. Esses clientes podem levar em consideração os créditos de IBS e CBS disponíveis na compra.

Se um fornecedor oferece uma operação que permite aproveitamento de créditos, ele pode se tornar comercialmente mais interessante.

Isso significa que a escolha do regime deixa de ser apenas uma questão tributária. Ela pode afetar a competitividade da empresa.

Quando pode ser melhor manter IBS e CBS dentro do Simples?

O Simples “puro” ainda pode ser bastante interessante. Um cenário típico é uma empresa que:

  • Vende principalmente para pessoas físicas;
  • Possui poucas despesas que geram créditos;
  • Opera com estrutura enxuta;
  • Não sofre pressão dos clientes por créditos tributários;
  • Valoriza uma rotina fiscal mais simplificada.

Imagine uma pequena prestadora de serviços que praticamente não compra mercadorias e possui poucas despesas creditáveis.

Retirar IBS e CBS do Simples pode significar assumir uma sistemática tributária complexa sem gerar créditos suficientes para compensar essa mudança.

Por isso, a decisão não deve ser tomada simplesmente porque o regime regular oferece créditos. É necessário descobrir quanto esses créditos representam em reais.

O Simples híbrido aumenta a burocracia?

Sim, esse fator precisa entrar na decisão. Quando IBS e CBS permanecem dentro do Simples, a apuração continua integrada à sistemática simplificada do regime.

Ao optar pelo regime regular, a empresa precisa lidar com regras próprias dos novos tributos.

Isso envolve maior atenção a:

  • Documentos fiscais;
  • Créditos tributários;
  • Débitos de IBS e CBS;
  • Conciliações;
  • Apuração separada;
  • Controles fiscais;
  • Sistemas de gestão.

Portanto, uma economia pequena pode não justificar uma estrutura administrativa muito mais complexa.

O empresário precisa comparar economia tributária + impacto comercial + aumento de custos administrativos.

Quando deve ser feita a opção por IBS e CBS fora do Simples?

Para o primeiro semestre de 2027, a escolha pelo regime regular de IBS e CBS deve ser feita entre 1º e 30 de setembro de 2026.

A opção realizada agora produzirá efeitos entre janeiro e junho de 2027. Caso a empresa não escolha o regime regular nesse período, IBS e CBS permanecerão dentro do Simples no primeiro semestre.

A regulamentação prevê uma nova oportunidade entre 1º e 31 de março de 2027, com efeitos de julho a dezembro de 2027.

Isso significa que a decisão poderá ser revista periodicamente conforme as regras estabelecidas.

Por isso, setembro passa a ser um mês extremamente importante para o planejamento tributário das empresas do Simples Nacional.

O que deve ser analisado antes da escolha?

Antes de optar pelo regime regular, a empresa deve responder algumas perguntas.

Quem são meus clientes? Se forem majoritariamente outras empresas, os créditos podem ter grande importância comercial.

Quanto tenho de despesas creditáveis? Quanto maior o volume de créditos, maior pode ser a atratividade do regime regular.

Meu cliente valoriza os créditos de IBS e CBS? Em alguns mercados B2B, esse fator pode influenciar diretamente a escolha do fornecedor.

Quanto aumentará minha complexidade fiscal? A apuração separada exige controles e sistemas adequados.

Qual será minha carga efetiva em cada cenário? Somente uma simulação consegue responder essa pergunta com segurança.

Afinal, quando vale a pena pagar IBS e CBS fora do Simples?

Uma empresa não deve fazer a escolha com base exclusivamente no setor em que atua ou na decisão tomada por concorrentes. O correto é comparar os dois cenários com dados reais.

A Coit Contabilidade pode analisar o faturamento, as despesas, o perfil dos clientes e os créditos tributários do seu negócio para descobrir se vale mais a pena trabalhar com o Simples Nacional puro ou híbrido.

Entre em contato com a Coit Contabilidade e descubra qual modelo pode gerar mais economia e competitividade para sua empresa em 2027.